segunda-feira, 12 de maio de 2008

Idade Média - A Igreja Católica

  • Em meio à desorganização administrativa, econômica e social produzida pelas invasões germânicas e ao esfacelamento do Império Romano, praticamente apenas a Igreja Católica, com sede em Roma, conseguiu manter-se como instituição.
  • Consolidando sua estrutura religiosa, a Igreja foi difundindo o cristianismo entre os povos bárbaros, enquanto preservava muitos elementos da cultura greco-romana.
  • Valendo-se de sua crescente influência religiosa, a Igreja passou a exercer importante papel em diversos setores da vida medieval, servindo como instrumento de unificação, diante da fragmentação política da sociedade feudal.
  • Os sacerdotes da Igreja dividiam-se em duas grandes categorias: clero secular (aqueles que viviam no mundo fora dos mosteiros), hierarquizado em padres, bispos, arcebispos etc., e clero regular (aqueles que viviam nos mosteiros), que obedecia às regras de sua ordem religiosa: veneditinos, franciscanos, dominicanos, carmelitas e agostinianos.
  • No ponto mais alto da hierarquia eclesiática estava o papa, bispo de Roma, considerado sucessor do apóstolo Pedro.
  • Nem sempre a autoridade do papa era aceitar por todos os membros da Igreja, mas em fins do século VI ela acabou se firmando, devido, em grande parte, à atuação do papa Gregório Magno.
  • O Poder Temporal da Igreja Além da autoridade religiosa, o papa contava também com o poder temporal da Igreja, istoé, o poder advindo da riqueza que acumulara com as grandes doações de terras feitas pelos fiéis em troca da possível recompensa do céu.
  • Calcula-se que a Igreja Católica tenha chegado a controlar um terço das terras cultiváveis da Europa Ocidental. Era, portanto, uma grande "senhora feudal" numa época em que a terra constituía a base de riqueza da sociedade.
  • O papa, desde 756, era o administrador político do Patrimônio de São Pedro, o Estado da Igreja, constituído por um território italiano doado pelo rei Pepino, dos francos.
  • O poder temporal da Igreja levou o papa a envolver-se em diversos conflitos políticos com monarquias medievais.
  • Exemplo marcante desses conflitos é a Questão da Investiduras, no século XI, quando se chocaram o papa Gregório VII e o imperador do Sacro Império Romano Germânico, Henrique IV.
  • A Questão das Investiduras refere-se ao problema de a quem caberia o direito de nomear sacerdotes para os cargos eclesiásticos, ao papa ou ao imperador.
  • As raízes desse conflito remontam a meados do século X, quando o imperador Oto I, do Sacro Império Romano Germânico, iniciou um processo de intervenção política nos assuntos da Igreja a fim de fortalecer seus poderes.
  • Fundou bispados e abadias, nomeou seus titulares e, em troca da proteção que concedia ao Estado da Igreja, passou a exercer total controle sobre as ações do papa.
  • Durante esse período, a Igreja foi contaminada por um clima crescente de corrupção, afastando-se de sua missão religiosa e, com isso, perdendo sua autoridade espiritual.
  • As investiduras (nomeações) feitas pelo imperador só visavam os interesses locais.
  • Os bispos e os padres nomeados colocavam o compromisso assumindo com o soberano acima da fidelidade ao papa.
  • No século XI surgiu um movimento reformista, visando recuperar a autoridade moral da Igreja, liderado pela Ordem Religiosa de Cluny.
  • Os ideais dos monges de Cluny foram ganhando força dentro da Igreja, culminando com a eleição, em 1073, do papa Gregório VII, antigo monge daquela ordem reformista. Eleito papa, Gregório VII tomou uma série de medidas que julgou necessárias para recuperar a moral da Igreja. Instituiu o celibato dos sacerdotes (proibição de casamento), em 1074, e proibiu que o imperador investisse sacerdotes em cargos eclesiásticos, em 1075.
  • Henrique IV, imperador do Sacro Império, reagiu furiosamente à atitude do papa e considerou-o deposto. Gregório VII, em resposta, excomungou Henrique IV.
  • Desenvolveu-se, então, um conflito aberto entre o poder temporal do imperador e o poder espiritual do papa. Esse conflito foi resolvido somente em 1122, pela Concordata de Worms, assinada pelo papa Calixto III e pelo imperador Henrique V.
  • Adotou-se uma solução de meio termo: caberia ao papa a investidura espiritual dos bispos (representada pelo báculo), isto é, antes de assumir a posse da terra de um bispado, o bispo deveria jurar fidelidade ao imperador.

- Tribunais da Inquisição:

  • Nos diversos países cristãos, nem sempre a fé popular manifestava-se nos termos exatos pretendidos pela doutrina católica.
  • Havia uma série de doutrinas, crenças e supertições, denominadas heresias, que se chocavam com os dogmas da Igreja.
  • Para combater essas heresias, o papa Gregório IX criou, em 1231, os tribunais da Inquisição, cuja missão era descobrir e julgar os heréticos.
  • Os condenados pela inquisição eram entregues às autoridades administrativas do Estado, que se encarregavam da execução das sentenças. As penas aplicadas a cada caso iam desde a confiscação de bens até a morte em fogueiras.
  • O processo inquisitorial cumpria basicamente as seguintes etapas: o tempo de graça, o interrogatório e a sentença.
  • Tempo de Graça Ao chegar às aldeias e às cidades, os inquisidores solicitavam a todos os acusados de heresia que se apresentassem espontaneamente aos juízes. Era então estabelecido o tempo de graça, que poderia ser de 15 dias a um mês. O herético que se apresentasse, durante esse período, para confessar seu erro era tratado com certa misericórdia, recebendo geralmente penas leves, a critério do juiz. Terminando o tempo de graça, porém, os juízes do tribunal tornavam-se implacáveis, perseguindo duramente os suspeitos.
  • Interrogatório perante o tribunal, os acusados de heresia eram longamente interrogados pelos os juízes, que faziam de tudo para que o réu confessasse o crime. Caso o réu se recusasse a confessar, podia ser submetido a diversas formas de violência e tortura, como chicotadas, queimaduras com brasas etc.
  • O manual dos inquisidores, espécie de guia prático do ofício inquisitorial, escrito em 1376 pelo dominicano espanhol Nicolau Eymerich (depois revisto e atualizado, em 1578, por Francisco de La Penã), diz que: A finalidade da tortura é obrigar o suspeito a confessar a culpa que cala.
  • Pode-se qualificar de sanguinários todos esses juízes de hoje, que recorrem tão facilmente à tortura, sem tentar, através de outros meios, completar a investigação. Esses juízes sanguinários impõem torturas a tal ponto que matam os réus, ou os deixam com membros fraturados, doentes sempre.
  • O inquisidor deve ter em mente que: o acusado deve ser torturado de tal forma que sai saudável para ser liberado ou para ser executado.
  • Arrancada a confissão do réu, os inquisitores proferiam a sentença em uma sessão pública denominada sermão geral. As sentenças previam três tipos básicos de penas: confiscação de bens, prisão e morte. A maioria dos condenados à morte eram queimados vivos numa grande fogueira. Somente a alguns permitia-se o estrangulamento antes de serem lançados ao fogo.
  • A ação dos tribunais da Inquisição estendeu-se por vários reinos cristão: Itália, França, Alemanha, Portugal e, especialmente, Espanha. Nesse último país, a Inquisição penetrou profundamente na vida social, possuindo uma gigantesca burocracia pública com cerca de vinte e cinco mil funcionários a serviço do movimento inquisitorial. Pressionada pelas monarquias católicas, a Inquisição desempenhou um papel político e social, freando os movimentos contrários às classes dominantes e, dessa maneira, ultrapassando sua finalidade declarada de proceder ao mero combate às heresias religiosas

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Peste Negra

  • Epidemia de peste que devastou a Europa em meados do século XIV.
  • Chegou à Europa a partir da China em 1348 e expandiu-se com grande velocidade pela maioria dos países.
  • Seus resultados foram desastrosos. O bacilo da peste afeta os roedores selvagens e seus parasitas, em especial o rato negro e sua pulga, Xenopsylla cheopis. Um rato doente, portador do bacilo, pode infectar a pulga que se alimenta de seu sangue e, em determinadas condições, esta pode transmitir a doença aos seres humanos.
  • Os historiadores modernos acreditam que foi essa a causa mais comum de expansão da doença. Há duas formas de peste: a peste bubônica, que afeta os gânglios linfáticos e a peste pneumônica, uma das moléstias mais infecciosas e mortais conhecidas pelo ser humano e que atinge os pulmões.
  • Transmitia-se com facilidade, já que podia ser difundida pela tosse e pelos espirros. Ambas as formas coexistiram. A epidemia cruzava as fronteiras com facilidade, não só entre diferentes países, mas também entre animais e seres humanos.
  • Não há dúvidas sobre o dramático impacto da peste em 1348-1349. Muitos observadores contemporâneos mostraram-se impressionados ante a devastação humana causada pela doença. Posteriormente, calculou-se que, nas áreas mais afetadas da Europa, mais da metade da população pereceu.

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Baixa Idade Média - Transformações

  • No século X, os países europeus deixaram de ser ameaçados por invasões. Os últimos invasores - normandos e eslavos - já se haviam estabelecido respectivamente no Norte da França (Normandia) e no centro-leste da Europa (atual Hungria).
  • O continente vivia agora a "paz medieval", a qual ocasionou mudanças que provocaram transformações no panorama europeu.
  • No período que vai do século XI ao século XV - a chamada Baixa Idade Média - percebe-se uma decadência no feudalismo.
  • O aumento populacional provocado por essa fase de estabilidade levou à necessidade de mais terras, nas quais os trabalhadores desenvolveram técnicas agrícolas que lhes facilitaram o trabalho.
  • Em torno dos castelos começaram a estabelecer-se indivíduos que comerciavam produtos excedentes locais e originários de outras regiões da Europa.
  • A moeda voltou a ser necessária, e surgiram várias cidades importantes junto às rotas comerciais e marítimas e terrestres.
  • Ao mesmo tempo, a Igreja, fortalecida, promoveu expedições cristianizadoras ao Oriente - as Cruzadas - tentando recuperar a cidade de Jerusalém, então em poder do Império Islâmico.
  • Durante dois séculos, as Cruzadas agitaram toda a Europa, pois além dos aspectos religiosos havia um impulso comercial muito grande.
  • A Expansão Comercial As invasões que ocorreram do século V ao VIII e a desintegração do Império Romano do Ocidente levaram à formação de um sistema social, político e econômico adaptado às novas condições - o feudalismo.
  • Da mesma forma, após o século X, novos fatos e circunstâncias determinaram outra grande transformação na Europa Ocidental. Embora os feudos continuassem a produzir normalmente, com os servos trabalhando a terra e pagando suas obrigações aos senhores feudais, a produção era insuficiente para alimentar uma população em constante crescimento.
  • Nesse período, foram introduzidas várias conquistas técnicas que facilitaram em parte as atividades do campo, como o arado e outros instrumentos agrícolas de ferro, moinhos de vento e novas maneiras de se atrelarem os animais, de modo a permitir que eles fossem utilizados à plena força. Também a substituição do boi pelo cavalo, como animal de tração, trouxe vantagens, já que o cavalo é um animal mais ágil e com a mesma força do boi.
  • Apesar disso, o pedaço de terra cultivado era muito pequeno, o que gerava uma tendência à expansão do espaço agrícola para além dos limites dos feudos e das aldeias. Com o mesmo objetivo ocupavam-se também bosques e florestas.
  • Ao mesmo tempo, essa população que aumentava também requeria produtos de outra natureza: tecidos, instrumentos de trabalho, utensílios domésticos, entre outros.
  • Alguns indivíduos (vilões) se especializavam na produção de artesanato ou na atividade comercial, surgindo então os artesãos e mercadores que comercializavam esses produtos e os eventuais excedentes agrícolas.
  • Alguns deles receberam permissão do senhor feudal para concentrar-se junto a castelos, mosteiros e igrejas, dando origem aos chamados burgos, núcleo das futuras cidades.
  • Por essa razão, seus habitantes passaram a ser conhecidos como burgueses, uma nova categoria social que se dedicava ao artesanato e ao comércio de mercadorias.
  • Um fato relacionado com essa evolução foi o surgimento das Cruzadas, ocorridas nos séculos VI a XIII, que tiveram grande influência nesse panorama, aumentando as possibilidades de comércio da Europa e do Oriente.
  • A Importância das Cruzadas Quando se denunciou na Europa que os muçulmanos maltratavam os peregrinos cristãos que chegavam à Terra Santa, iniciou-se o movimento cruzadista, que recebeu esse nome devido à cruz que usava em seus estandartes e vestuário os que dele participavam. Convocadas primeiramente pelo papa Urbano II, em 1095, na França, as Cruzadas foram, então, expedições de cristãos europeus contra os muçulmanos ocorridas durante os séculos XI a XIII.
  • A missão dos cavaleiros cristãos era libertar a região da Palestina, que na época fazia parte do Império Islâmico.
  • Além dessa motivação religiosa, entretanto, outros interesses políticos e econômicos impulsionaram o movimento cruzadista:
  • A Igreja procurava unir os cristãos do Ocidente e do Oriente, que haviam se separado em 1054, no chamado Crisma do Oriente, surgido a partir daí a Igreja Ortodoxa Grega, liderada pelo patriarca de Constantinopla;
  • Havia uma camada da nobreza que não herdava feudos pois a herança cabia apenas ao filho mais velho. Assim, os nobres sem terra da Europa Ocidental queriam apoderar-se das terras do Oriente;
  • Os comerciantes italianos, principalmente das cidades de Gênova e Veneza, desejavam dominar o comércio do Mar Mediterrâneo e obter alguns produtos de luxo para comercializarem na Europa;
  • Outros grupos populacionais marginalizados tinham interesse em conquistar riquezas nas cidades orientais.
  • Oito Cruzadas foram organizadas entre 1095 e 1270, que apesar de obterem algumas vitórias sobre os muçulmanos, não conseguiram reconquistar a Terra Santa.
  • Essas expedições envolveram desde pessoas simples e pobres do povo até a alta nobreza, reis e imperadores, tendo havido mesmo uma Cruzada formada apenas por crianças.
  • Dezenas de milhares de pessoas uniam-se sob o comando de um nobre e percorriam enormes distâncias, tendo de obter alimentação e abrigo durante o percurso.
  • A maioria antes de chegar ao destino era massacrada em combates.
  • Em 1099, Jerusalém foi conquistada, mas um século depois foi tomada novamente pelos turcos muçulmanos, não tendo sido jamais recuperada.
  • No entanto, os europeus conseguiram reconquistar alguns pontos do litoral do Mar Mediterrâneo, restabelecendo o comércio marítimo entre a Europa e o Oriente.
  • O contato dos europeus com os povos orientais - bizantinos e muçulmanos - fez com que eles começassem a apreciar e a consumir produtos como perfumes, tecidos finos, jóias, além das especiarias, como eram chamadas a primeira, a noz-moscada, o cravo, o gengibre e o açucar.
  • No século XII, como conseqüência imediata das Cruzadas, inicia-se a expansão comercial na Europa e, com ela, o crescimento das cidades e a decadência do trabalho servil, típico do feudalismo.
  • As Rotas Comerciais e a Feiras A expansão comercial, a partir da reabertura do Mar Mediterrâneo, beneficiou principalmente as cidades italianas de Gênova e Veneza.
  • Os comerciantes dessas cidades passaram a monopolizar o comércio de especiarias, comprando-as em portos orientais de Constantinopla, Alexandria e Trípoli, para, através do Mediterrâneo, revendê-las no mercado europeu.
  • Mas no norte da Europa, junto as Mar do Norte e ao Mar Báltico, também se formaram regiões de intenso comércio, servidas em parte delas cidades italianas, que as atingiam tanto pro mar como por terra.
  • Era a região de Flandres, produtora de tecidos, onde se destacava a cidade de Bruges, e a região do Mar Báltico, que tinha como importantes centro Hamburgo, Dantzig e Lübeck, que ofereciam mel, peles, madeira e peixes vindos de regiões próximas. Para contatar esses pontos, estabeleceram-se diferentes rotas comerciais.
  • A rota marítima ligava as cidades italianas a importantes centros comerciais do norte da Europa. Já a rota terrestre também ligava as cidades italianas à movimentada região de Fladres, mas atravessava toda a França.
  • Nos cruzamentos dessas grandes rotas comerciais com outras menores, que uniam todos os pontos da Europa, surgiram as feiras, grandes mercados abertos e periódicos, para onde se dirigiam comerciantes de várias partes do continente.
  • Protegidos pelos senhores feudais, que lhes cobravam taxas de passagem e permanência, os comerciantes fixavam-se por dias e semanas em algumas regiões, oferecendo mercadorias, como tecidos, vinhos, especiarias e artigos de luxo orientais.
  • As feiras mais famosas foram as da região de Champagne, na França.
  • O desenvolvimento comercial surgido no século XII, fez com que o dinheiro voltasse a ser necessário. Porém, com em cada região cunhavam-se moedas de diferentes valores, apareceram os cambistas, pesos que conheciam os valores das moedas e se incumbiam de trocá-las.
  • Posteriormente, tornando-se as relações mais complexas, surgiram os banqueiros, que guardavam o dinheiro dos comerciantes e forneciam-lhes empréstimos mediante a cobrança de juros. S
  • ão dessa época os sistemas de cheques e as letras de câmbio, que facilitavam as transações comerciais feitas a distância, utilizados até hoje.
  • O Ressurgimento das Cidades Com a expansão comercial desenvolveram-se os burgos, que haviam aparecido em volta de castelos, mosteiros e igrejas, além de outros, surgidos nas rotas comerciais, no litoral e à margem de rios.
  • Sua população, como já vimos, era composta basicamente de artesãos e comerciantes, que ganhavam cada vez mais importância, em função de sua riqueza e de seu número.
  • Os artesãos dedicavam-se à fabricação de tecidos, instrumentos de ferro, de couro, e de muitos outros materiais. Suas oficinas, que funcionavam com as portas abertas, serviam igualmente para vender as mercadorias diretamente, sem intermediários.
  • Com o rápido crescimento do comércio e do artesanato nos Burgos, a concorrência entre mercadores e artesãos aumentou bastante. Para regulamentar e proteger as diversas atividades, surgiram as corporações.
  • No início eram formados apenas por mercadores autorizados e exercer seu trabalho em cada cidade.
  • Posteriormente, com a especialização dos diversos artesãos, apareceram as corporações de ofício, que tiveram grande importância durante a Baixa Idade Média: corporações de padeiros, de tecelões, de pedreiros, de marceneiros etc.
  • Cada umas dessas corporações reunia os membros de uma atividade, regulando-lhes a quantidade e a qualidade dos produtos, o regime de trablho e o preço final.
  • Procuravam assim eliminar a concorrência desleal, assegurar trabalho para todas as oficinas de uma mesma cidade e impedir que produtos similares de outras regiões entrassem nos mercados locais.
  • Dessa maneira, as corporações de ofício determinavam também as relações de trabalho. Em cada oficina havia apenas três categorias de artesãos. Mestres, que comandavam a produção, sendo donos de oficina, dos instrumentos de trabalho e da matéria-prima; Oficiais ou companheiros, que eram trabalhadores especializados a serviço dos mestres, recebendo em troca um salário. Tornavam-se mestres após realizar uma obra que provasse sua capacidade e habilidade no ofício; Aprendizes, jovens que aprendiam o ofício trabalhando, durante anos, e recebendo do mestre apenas casa e comida até poderem tornar-se companheiros.
  • Os comerciantes também procuravam organizar-se em corporações para manter o mercado comerciantes de diferentes cidades se associavam, formando uma liga. A mais famosa foi a Liga Hanseática, que reunia 80 ciades alemãs e que controlava comercialmente o norte da Europa.
  • Com o amplo desenvolvimento mercantil e artesanal e o conseqüente aumento de importância da classe dos burgueses, a antiga organização feudal, composta por nobres improdutivos e servos presos à terra, já não era mais adequada.
  • Os senhores feudais passaram a ganhar com o comércio, pois cobravam dos comerciantes taxas de passagem e de estabelecimento em seus feudos.
  • A mão-de-obra servil declinava, pois, além de um grande número de trabalhadores agrícolas ter sido desviado para as Cruzadas (século XI e XII), muitos servos fugiram para dedicar-se às atividades urbanas.
  • Interessados no aumento da produção e em maiores lucros, os senhores feudais liberaram os servos do trabalho obrigatório.
  • Alguns senhores passam a permitir que os servos vendam seus produtos nas feiras e nas cidades, desde que lhes paguem uma quantia em dinheiro. Outros ainda começaram a se utilizar de lavradores assalariados, pagos por jornada, chamamos jornaleiros.
  • Pouco a pouco, o poder dos senhores feudais diminuiu, assim como a submissão das cidades às suas leis e impostos.
  • Alguns dos mais importantes comerciantes e mestres-artesãos passaram a organizar-se num conselho, conhecido como comuna. Eram eles que administravam as cidades, cobrando taxas e impostos de seus moradores.
  • Foram essas comunas burguesas que, a partir do século XII, passaram a organizar a luta pela autonomia das cidades. Ela foi sendo conquistada aos poucos, ou de forma violenta, quando se armava e derrotava o senhor feudal da região, ou de forma pacifica, ao comprar a independência da cidade, recebendo a carta de franquia do senhor feudal, que dava ampla autonomia aos núcleos urbanos.
  • A vitória desses movimentos comunais refletia a importância cada vez maior da burguesia, fato que iria afetar diretamente os acontecimentos dos séculos seguintes.
  • As Sujas e Apertadas Cidades Medievais Na baixa Idade Média, houve a rápida multiplicação do número de cidades, nas quais se exerciam atividades comerciais, manufatureiras e também artísticas.
  • As cidades eram guarnecidas por mulharas que serviam para protegê-la das invasões de nobres e bandidos.
  • Em todo o século XIV e até meados do século XV, a Europa enfrentou uma série de circunstâncias que afetaram profundamente a vida de sua população. Mudanças climáticas trouxeram vários anos seguidos de muita chuva e frio, o que causou o extermínio de animais e plantações, levando a um longo período de fome; a peste negra, originária do Mar Negro e transmitida por ratos, dizimou milhões de europeus já enfraquecidos pela fome.
  • Além disso, a violência gerada pela Guerra do Cem Anos fez eclodirem revoltas populares que ceifaram outras tantas vidas. As precárias condições urbanas agravaram ainda mais os problemas gerados por essas crises, pois só a peste negra, propiciada pelas más condições de higiene, fez a Europa perder mais da metade da sua população.

Baixa Idade Média - Cruzadas

  • Tendo em vista objetivos de retomada da Terra Sagrada de Jerusalém (então dominada pelos turcos) e ainda a reintegração da Ásia Menor ao Império Bizantino, o Papa Urbano II foi o primeiro a sustentar a tese da necessidade de movimentos militares para tais fins: as cruzadas.
  • As cruzadas empreenderam-se, de modo geral, sob a orientação de contenção da "expansão herética".
  • Alem disso visavam diminuir o contingente populacional da Europa, ampliar as riquezas dos nobres sem herança e divulgar o catolicismo.
  • Embora tendo sido o idealizador, o Papa Urbano II não chegou a assistir à concretização de seus objetivos, falecendo poucos dias antes da retomada de Jerusalém.
  • Já a Segunda Cruzada, empreendida entre os anos de 1147 a 1149, não chegaram a obter êxito na retomada do Condado de Edessa, então sob domínio turco.
  • A Terceira Cruzada marcou uma grande alteração nas relações entre líderes cristãos e muçulmanos: uma atitude de maior tolerância passou a ser admitida em lugar da pura intenção de extermínio. Esta cruzada foi apoiada por líderes políticos católicos germânicos, ingleses e franceses.
  • A Quarta Cruzada centrou os ataques à cidade de Constantinopla, contra as intenções da Igreja do Oriente (Igreja Ortodoxa), que refutava a orientação doutrinal católica. Além disso reativou o comércio entre o oriente e o ocidente.
  • Ao mesmo tempo em que eram guerras marcadas por diferenças religiosas, também possuíam um forte caráter econômico. Muitos cavaleiros cruzados, ao retornarem para a Europa, saqueavam cidades árabes e vendiam produtos nas estradas, nas chamadas feiras e rotas de comércio.
  • De certa forma, as Cruzadas contribuíram para o renascimento urbano e comercial a partir do século XIII. Após as Cruzadas, o Mar Mediterrâneo foi aberto para os contatos comerciais.

Idade Média - Feudalismo

  • As origens do feudalismo remontam ao século III, quando o sistema escravista de produção no Império Romano entrou em crise. Diante da crise econômica e das invasões germânicas, muitos dos grandes senhores romanos abandonaram as cidades e foram morar nas suas propriedades no campo.
  • Esses centros rurais, conhecidos por vilas romanas, deram origem aos feudos medievais. Muitos romanos menos ricos passaram a buscar proteção e trabalho nas terras desses grandes senhores. Para poderem utilizar as terras, no entanto, eles eram obrigados a entregar ao proprietário parte do que produziam, estava instituído assim, o colonato. Aos poucos, o sistema escravista de produção no Império Romano ia sendo substituído pelo sistema servil de produção, que iria predominar na Europa feudal.
  • Nascia, então, o regime de servidão, onde o trabalhador rural é o servo do grande proprietário.
  • No sistema feudal, o rei concedia terras a grandes senhores. Estes, por sua vez, davam terras a outros senhores menos poderosos, chamados cavaleiros, que, em troca lutavam a seu favor.
  • Quem concedia a terra era um suserano, e quem a recebia era um vassalo. As relações entre o suserano e o vassalo eram de obrigações mútuas, estabelecidas através de um juramento de fidelidade. Quando um vassalo era investido na posse do feudo pelo suserano, jurava prestar-lhe auxílio militar. O suserano, por sua vez, se obrigava a dar proteção jurídica e militar ao vassalo.
  • A sociedade feudal era dividida em estamentos, isto é, uma sociedade composta por camadas estanques, em que a mudança de uma camada social para a outra era praticamente impossível.
  • De acordo com a função específica de cada camada alguns historiadores classificam-na como uma sociedade formada por aqueles que lutam (nobres), aqueles que rezam (clero) e aqueles que trabalham (servos).
  • Os servos não tinham a propriedade da terra e estavam presos a ela. Não podiam ser vendidos como se fazia com os escravos, nem tinham liberdade de abandonar as terras onde nasceram.
  • Nas camadas pobres, havia também os vilões. Os vilões eram homens livres que viviam no feudo, deviam algumas obrigações aos senhores, como por exemplo, as banalidades, mas não estavam presos à terra, podendo sair dela quando o desejassem.
  • A nobreza e o clero compunha a camada dominante dos senhores feudais, ou seja, aqueles que tinham a posse legal da terra e do servo e que dominavam o poder político, militar e jurídico.
  • O alto clero era composto pelos seguintes membros: papa, arcebispos e bispos. O baixo clero era composto pelos padres, e monges.
  • A nobreza era também hierarquizada estando dividida em alta e baixa nobreza. Alta nobreza: duque, marquês e conde. Baixa nobreza: visconde, barão e cavaleiro.
  • O feudo (terra) era o domínio de um senhor feudal. Era dividido em Manso Servil, Manso Senhorial e Manso Comunal.
  • A base do sistema feudal eram as relações servis de produção.
  • Os servos viviam em extrema miséria, pois, além de estarem presos à terra por força de lei, estavam presos aos senhores, a quem deviam obrigações como: - a talha; - a corvéia; - as banalidades, a mão morta, a capitação, o dizimo.
  • Tudo isso levava a um baixíssimo índice de produtividade, pois, além de as técnicas serem rudimentares, os servos não tinham a menor motivação para desenvolvê-las porque sabiam que, quanto mais produzissem, mais os senhores lhes sugariam.

Resumo Império Bizantino

  • Entendida como um dos sinais de crise do Antigo Império Romano, a criação do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, em 330, não só foi resultado do desgaste das estruturas sócio-políticas do Império Romano, mas também assinalou as diferenças entre suas partes Ocidental e Oriental.
  • O Império Bizantino foi historicamente influenciado pelos valores da cultura helenística, criada pelo imperador Alexandre, O Grande. Além disso, essa maior influência das tradições gregas e orientais também pode ser compreendida enquanto um desdobramento da tradição comercial da própria economia bizantina.
  • Com sua capital em Constantinopla (atual Istambul), o Império Bizantino conseguiu se firmar durante toda a Idade Média,mas foi tomado, em 1453, pelos turco-otomanos. O sistema político bizantino era monárquico.
  • O rei, além de responder as questões de cunho político, também tratava dos assuntos religiosos e militares. Mesmo concentrando muito poder em mãos, os Reis ainda contavam com o auxílio de um amplo corpo de funcionários responsáveis pelos aspectos burocráticos do poder imperial.
  • O mais notável imperador do Império Bizantino foi Justiniano, que entre os anos de 527 e 565 realizou conquistas territoriais e reformou alguns pontos da estrutura jurídica de seu governo.
  • No governo de Justiniano, o Império ampliou as suas fronteiras chegando a tomar controle sob a cidade de Roma. Visando reavivar os domínios do Antigo Império Romano, Justiniano ainda conquistou o Norte da África (533), o sul da Itália (536 – 539) e a Espanha (554).
  • A nostalgia de Justiniano em relação ao Antigo Império Romano também se manifestou quando ele criou o Código Justiniano, um conjunto de leis inspirado no Direito Civil Romano.
  • Além disso, Justiniano foi responsável pela construção da Catedral de Santa Sofia, um dos maiores centros de adoração cristã do império.
  • No aspecto religioso, podemos dar destaque sobre as feições que o cristianismo tomou em solo bizantino. Até o processo de centralização do poder papal, em 455, o rei do império também era considerado chefe supremo da Igreja. Essa submissão ao poder do Papa de Roma nunca foi aceita pelos clérigos bizantinos.
  • Além disso, os cristãos bizantinos ainda divergiam em alguns pontos da doutrina romana. Entre outras heresias, a Igreja Bizantina rejeitava a adoração a imagens, liderando o chamado movimento iconoclasta. Esse movimento incentivava a destruição das imagens de santos e do Cristo. A
  • s tensões político-ideológicas entre Roma e Constantinopla acabariam por deflagrar o Cisma do Oriente (1054). O Cisma foi responsável por dividir a Igreja: de um lado a Igreja Católica, sediada em Roma; de outro a Igreja Ortodoxa, sediada em Constantinopla.
  • Entre os séculos VI e VIII os domínios do império foram tomados por constantes invasões promovidas tanto pelo lado ocidental quanto pelo oriental do território. Até o fim da Idade Média, durante os séculos X ao XV, outras pressões territoriais, incluindo o movimento das Cruzadas, e o renascimento comercial da Europa Ocidental foram responsáveis pelo enfraquecimento do Império Bizantino.
  • Durante a expansão turco-otomana sob o território dos Balcãs e da Ásia Menor, o império se viu reduzido à própria cidade de Constantinopla. Em 1453, os turcos conseguiram invadir a cidade, mudando o seu nome para Istambul.

Resumo: Império Árabe

  • Duas Épocas da História:-

Pré-islâmica: antes da criação da religião muçulmana (ano 570)

Islâmica: após a criação do islamismo

  • A Arábia Pré-Islâmica (até 570)

-Árabes do deserto (Beduínos): eram nômades - transporte de mercadorias em camelos e pastores.

- Árabes da Cidade (Urbanos): eram sedentários - dedicavam-se ao comércio e agricultura

  • Crença Religiosa:

Politeístas (acreditavam em vários deuses)

  • Maomé e o Islamismo- fundador do islamismo (ano 570)

-Monoteísta: existência de um único deus: Alá

- Pedra Negra (Caaba): símbolo religioso

  • Os princípios do Islamismo

- Corão ou Alcorão: livro Sagrado
- Guerra Santa: combate aos não-muçulmanos que ameaçavam a religião muçulmana
- Promessa do paraíso para quem for fiel a Alá
Obrigações religiosas dos muçulmanos: crer em Alá, Rezar 5x por dia , dar esmolas, Jujuar no mês de Ramada, Ir a Meca pelo menos uma vez na vida.

  • Expansão Árabe:

O Império Muçulmano- Califa (líder)

- Guerra Santa "Jihad" para expansão do islamismo- conquista de territórios
-Expansao da Cultura Árabe

- Norte da Africa, Ásia, Península Ibérica, Arabia

  • Desenvolveram:

- Comércio: cheques, recibos, cartas de crédito, etc.

- Ciência: química (busca de pedra filosofal) e conhecimentos de medicina

- Literatura: Aladim e a lâmpada maravilhosa, Simbad, o marujo, Mil e uma noites, Ali baba e os 40 ladrões

  • Islamismo Hoje

- Espalhado em diversos países do Mundo: principalmente no Oriente Médio e Ásia

- Sociedade Patriarcal e pouca participação das mulheres

- A disputa entre xiitas e sunitas remonta às origens do Islamismo. Após a morte de Maomé, era necessário decidir quem assumiria o comando da comunidade. Para o grupo dos seguidores do partido de Ali, esposo da filha de Maomé, Fátima, o poder deveria ser confiado a um descendente do profeta. Para os outros, o califa (soberano muçulmano) deveria ser eleito. Estes últimos prevaleceram, e foram chamados de sunitas, seguidores da sunna (a tradição). Em Karbala, no Iraque, no ano 680 ocorreu o sacrifício do filho de Ali, Hussein, que foi massacrado com 72 fiéis das tropas do califa Omayyade Yazid. Este episódio marcou a ruptura decisiva entre o Islã sunita e o xiita. Mas os seguidores de Ali, deste então, sempre consideraram ilegítimo o poder do califas e julgam a sua própria história como uma história de paixão, martírio e revolta. Nas últimas fases da Guerra do Golfo, em março de 1991, a Guarda Republicana de Saddam Hussein, de bases sunitas, reprimiu duramente a revolta xiita, que havia sido iniciada com a esperança de receber apoio dos norte-americanos. Esse apoio não existiu e deixou espaço para um massacre que, segundo algumas fontes, causou 15 mil mortes. Divisão atual - Os xiitas são 10% dos muçulmanos no mundo e representam 60% dos 24 milhões de iraquianos. Eles estão concentrados no sul do país, onde ficam as suas duas principais cidades santas, Karbala e Najaf, e em algumas áreas de Bagdá. Também Bassora, a segunda maior cidade do Iraque, é habitada predominantemente por xiitas. Os sunitas, que permaneceram no poder por 400 anos, são cerca de 34% da população (14% são curdos e 5% de outras religiões) e estão distribuídos por todo o país, especialmente ao norte de Bagdá, com predominância absoluta na região conhecida como "triângulo sunita", a fortaleza da guerrilha entre as cidades de Falluja, Ramadi e Tikrit.A figura do Guia Supremo Espiritual é central para os muçulmanos xiitas, que, como ocorre no Irã, pode desenvolver um importante papel político, enquanto para os sunitas o imã é essencialmente um estudioso e um guia espiritual.